O desempenho de papéis
Às vezes, achamos que são mesmo demasiados. Cada um deles exige algum esforço, já que temos de usar expressões, linguagens e posturas diferenciadas, quando não mesmo roupagens esecíficas, para nos adequarmos ao que é esperado.
Somos, simultaneamente, filhos, pais, amigos, irmãos, colegas, conhecidos, chefes ou subordinados, adeptos de qualquer coisa ou militantes de uma causa.
Para cada um desses papéis temos que encontrar o desempenho certo.
Mesmo que o que esteja em jogo não se refira a qualquer preocupação excessiva com a imagem, basta-nos viver em sociedade para nos sentirmos obrigados a corresponder a expectativas que, vá-se lá saber como nos parecem conduzir.
Algumas vezes discute-se qual desses papéis é o mais genuíno, o mais próximo de um Eu que se pretende íntimo.
Muitos nunca se interrogaram sobre o porquê desta diversidade, no entanto se para uns este desempenho de variados papéis é uma estrutura sólida que suporta com facilidade, ajustes pequenos e exercícios de contenção relativamente fáceis, ditados pelas regras de convívio em sociedade/grupo.
Para muitos outros, este mobilizar constante da atenção, disponibilidade e vontade, que permitem o desempenho preciso de cada um dos papéis, é uma canseira extenuante.
São estes que, volta em vez, se interrogam se "chegam a fingir que é dor a dor que deveras sentem".
Isabel Leal - Profª de Psicologia

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