Emocionalmente qual o percurso inicial das famílias que têm um filho com perturbações no desenvolvimento?
Reportemo-nos um pouco atrás e vejamos que os pais investem muito em termos emocionais e materiais, enquanto preparam o nascimento do seu filho.
Os pais vêem no filho que vai nascer um prolongamento de si mesmos e também porque a capacidade de dar vida a crianças "normais" é importante para a auto-estima de cada um de nós.
Os que já são pais, certamente se lembram da primeira pergunta feita ao médico quando a criança nasce: "O meu filho está bem? Ele é perfeito?", isto reflecte a dúvida que existe em todos nós "sou suficientemente bom para ter um filho perfeito?"
O problema surge quando nasce um filho com lesões graves evidentes.
Se o filho que nasce não se parece em nada com o filho idealizado, essa diferença pode ser grande demais para eles.
Nestes casos os pais perdem subitamente o filho idealizado e ficam ao mesmo tempo com um filho temido, que lhes causa desilusão e angústia, apercebendo-se que os seus sonhos de futuro não se vão cumprir.
Podemos considerar esta fase como o início do percurso inclusivo da criança que nasce com patologias, ou seja, será primordial que a família perante esta realidade consiga aceitar o seu "novo" filho deixando para trás o filho "idealizado", criando vínculos ao novo bebé.
Terá que haver um processo de mudança no seio da família e como a palavra inclusão indica "...algo a construir...".
Luísa Maximino
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