Como sabemos, há entendimentos muito diferentes acerca de um mesmo conceito, sobretudo quando se trata da sua aplicação prática. Mesmo que haja consensos ao nível teórico, a forma como esses aspectos são postos em prática diverge e acaba por trair, muitas vezes, os princípios educativos que estiveram na sua génese.
Importa clarificar o que estamos a dizer quando falamos de diferenciação.
É hoje consensual que todos os alunos são diferentes, ou seja, que têm relações diferentes com o saber, interesses diversos, estratégias e ritmos próprios de aprendizagem.
O grande desafio actuamente colocado a todos os docentes é o de deixarem de estar tão preocupados em ensinar e o de criarem, pelo contrário, condições efectivas para que os alunos aprendam. Esta deslocação do enfoque no ensino para a aprendizagem dos alunos implica, necessariamente, a utilização de estrat´gias de diferenciação.
Diferenciar é, segundo Perrenoud (1997), "romper com a pedagogia magistral - a mesma lição e os mesmos exercícios para todos ao mesmo tempo - mas é sobretudo uma maneira de pôr em funcionamento uma organização de trabalho que integre dispositivos didácticos, de forma a colocar cada aluno perante a situação mais favorável".
A congruência máxima com esta perspectiva implica a construção de uma outra escola: uma "escola das diferenças" (1995), de acordo com uma expressão do mesmo autor.
Estas práticas utilizadas pelo Movimento de Escola Moderna, são construídas através de uma interacção permanente entre a prática desenvolvida pelos seus seguidores e a partilha e reflexão sistemática no seio de grupos de aprofundamento teórico prático.
Trata-se de uma gestão cooperada de trabalho pedagógico suportada por um cenário que procura ser estruturante e facilitar o acesso de todos os alunos a todos os recursos de aprendizagem bem como aos instrumentos reguladores dos processos de trabalho.
O envolvimento dos alunos decorre da clarificação de um ponto de partida (os seus interesses e saberes, livremente explicitados) e da sua articulação com as aprendizagens curriculares. Simultaneamente criam-se condições para a estimulação do desenvolvimento da autonomia, interajuda, sentido de responsabilidade e cidadania.
Como refere Sérgio Niza, neste modelo "a acção educativa centra-se no trabalho diferenciado de aprendizagem dos alunos e não no ensino simultâneo dos professores" (1998).
Inácia Santana - Revista Escola Moderna (2000)

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