Sabemos que o tema "uma escola acolhedora" mesmo tratado na perspectiva do aluno e fazendo sobressair a sua voz, é um tema muito vasto, correndo-se o duplo risco de querer falar de tudo e pouco dizer, ou de se falar de pouco e frustrar as expectativas, sobretudo dos que gostam de traçar metas distantes e privilegiam o discurso utópico em detrimento do realista.
Ciente desses perigos, procurei cingir-me à realidade... parti daquela que quase todos pintam (professores, meios de comunicação, senso comum), como uma realidade pouco atraente, problematica, de futuro incerto...
Mas, procurando não me deter indefinidamente num muro de lamentações, procurei também desenhar, baseando-me numa investigação empírica, de cariz etnográfico, realizada junto dos alunos, um quadro onde sobressaem as atitudes positivas (e negativas) que muito têm a ver com uma vida mais feliz dentro da sala de aula, e, por reflexo, na escola.
Por isso mesmo, procurei chamar a atenção para aquelas dimensões mais próximas da responsabilidade do professor: por um lado, a necessidade de se implicar colectivamente com os seus colegas, com os alunos e com os encarregados de educação, na criação de uma cultura e de um clima positivo na sua escola; por outro, a necessidade de fomentar interacções na aula, marcadas pela competência, pelo equilíbrio na gestão dos poderes, e por uma actuação justa, que a todos valorize, dignifique e faça acreditar na possibilidade de um mundo melhor...
João da Silva Amado
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